Nossa Pane |
Todo amor que há no mundo ao dobro e ao contrário do previsível. |
Eu te observo com o mesmo olhar cerrado
E caminho na sua direção
Quero consertar o certo e desconcertar o errado
Sou o paradoxo da indecisão
Canto um verso, abstraio o universo
Procuro uma solução
Invejo o teu sucesso, eu sou o teu inverso
Procuro mesmo por confusão.
Lembrei daqueles dias em outra cidade
Gente em quantidade pronta pra fazer alarde
E eu com a cabeça presa em fatos atemporais
Me entregando sem medo àqueles valores imorais
Eu não sei mais como faz para chegar mais distante
Tudo o que eu mais quero é fugir e seguir adiante
Só peço que por favor não vá embora
Agende tudo para outra hora e não faça compromissos
Entenda os meus sumiços e meus vícios
Me prometa que homem não chora
E como um anzol
Enganchou da minha mente ao coração
E em um só instante me fez uma cicatriz no peito
Agora tenho duas: a sua e a que já estava antes.

Já está me dando uma saudade
E uma preguiça de seguir adiante
Ah! Se eu pudesse sem maldade…
Sumir e ir para mais distante
Ficou no imaginário
São só compromissos irreais
Quero que esteja no meu obituário
É que não somos mais imortais
E no meu obituário, quero que conste que morri de amor.
(É que eu morri de amor e esqueceram de documentar!)
Não se prenda aos traços mais significantes quando é preciso aprender a se sustentar com as pernas de antes.
Escrevo versos no espelho
Antes das cinco da manhã
Ouço mais um conselho
Que me cura de uma febre terçã
Eu tenho medo do escuro
Quero que me levem para um lugar seguro
Tenho pena do meu algoz
E sinto estranheza no tom da sua voz
Quero andar de bicicleta
Apagar as luzes dos postes
Deixar de presenciar tantas mortes
Dançar uma valsa completa
Eu quero abraçar tudo
Andar de costas em cima dos muros
Perder o senso de todo o absurdo
Cumprir metas e fugir de apuros.
Já que você inventou
De fazer parte do meu mundo
Deixa agora eu inventar
De ser o seu mundo
Para depois das seis
Um amigo em comum
Nos chamar de “vocês”.
Lábios no pescoço
Encontros faciais
Rosto contra rosto
Olhar de quero mais
Um beijo de caramelo
E tanto faz.
Tanto faz!
A madrugada é anestésica
Assim como os comprimidos da gaveta
Tenho amnésia seletiva
Para o que não me interessa
Meus olhos giram tão depressa
E eu não sei aonde eu estou
Meu mundo é metalinguístico
Assim como o dicionário junto aos livros
Sou a metáfora do rapaz de bem
Só que exatamente ao contrário
Eu poderia ser metonímia
Mas não sei aonde vou dormir hoje.
Estamos aqui meio abraçados
Os carros passam depressa
Só temos mais um cigarro
Vamos ter que dividir
Ou você vai me beijar agora?
Por causa da vodka barata
Fiz inúmeras promessas
E as luzes parecem dançar
Eu estou um pouco tonto
Você pode me beijar agora?
Acho que tem alguém olhando
Nossas mãos estão dadas
Mas acho que eles não perceberam
Enquanto isso vamos andando
Porque eu vou te beijar agora.
Já está meio claro lá fora
Extrapolamos um pouco a hora
A porta está só encostada
Nossas mãos estão suadas… e tão juntas
Parece que está meio frio
E eu não quero ir embora
Eu sei que temos que ir
Mas me sinto tão bem aqui
Só de estarmos tão juntos
Os teus olhos brilham tanto… por favor, não chora
Está parecendo aqueles fins de festa
Que eu não quero ir embora.